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Falta “combustível” na Segurança
*Everaldo Damião - Advogado/Professor 26/10/2009


No dia 25/03/2008 o delegado federal aposentado, Paulo Rubim, tomou posse na Secretaria de Defesa Social. A imprensa divulgou que ele tinha “poder” de promover ações integradas para desenvolver Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Detran, Centro de Perícias Forense e o Sistema Prisional de Alagoas. A Imprensa não disse, mas, nos bastidores, falava-se sobre a imposição do Governo Federal, por meio do Ministro da Justiça, Tarso Genro, para implementar “ajuda” ao Estado, com o objetivo de permitir a governabilidade do Chefe do Executivo. O novo Secretário de Defesa Social teria que fazer mudanças para corrigir o “caos” que havia tirado o sono do governador do PSDB. O Presidente LULA, desafiando o PT, haveria de liberar recursos públicos para reestruturar a Secretaria de Segurança, disponibilizando pessoal especializado para atuar em Alagoas. Mas, como “tudo neste Estado é contraditório”, segundo o etnologista e historiador Dirceu Lindoso, o Dr. Paulo Rubim não implementou o que foi divulgado. Tudo permaneceu como antes da sua posse. Antes de ele assumir a Segurança Pública, um helicóptero, “alugado” pelo Governo Estadual, caiu na lagoa, por falta de combustível. Agora, outro helicóptero, “doado” pelo Governo Federal, cai em área habitada da Via Expressa, por falta de combustível. Incrível é o modo como se “destroem” helicópteros da polícia no Rio de Janeiro e em Alagoas. Lá, os traficantes “abatem” com tiros de fuzil. Aqui, helicópteros “caem” em vôo, por falta de combustível.


Diariamente, ouve-se o povo reclamar da ausência de viaturas policiais nas ruas e das repetidas “desculpas” dos agentes de polícia de que falta “combustível” nos veículos impedem a efetivação de diligências e de prisões. Realidade constatada pelo agricultor José Simão da Silva, de 56 anos, em São Sebastião, na região de Arapiraca. Todos os dias, ele sai pela manhã e regressa à tarde, percorrendo sítios e canaviais, na busca de reencontrar o filho de 16 anos, Jarlison Simão, seqüestrado por três homens armados, quando este dormia em casa. Disse o pai à imprensa: “Eu nem ia procurar a polícia porque não resolve nada mesmo. Fui até a Delegacia, o policial fez o registro, mas avisou que a viatura estava sem combustível. Ele era o único de plantão e por isso não poderia sair. Pediu que eu voltasse na manhã de hoje (ontem). Se eu tivesse dinheiro pagava o combustível para o carro da polícia procurar meu filho, mas estou cortando cana para poder manter a minha família”. E arrematou: “Eu agora só quero encontrar ele, vivo ou morto. Levaram meu filho, só de short, depois de terem arrombado a porta da minha casa, entrando aqui armados, de cara limpa, todos vestidos de preto, dizendo que era a polícia de Sergipe, sem mostrar documento e nem explicar porque eles estavam prendendo. Isso só pode ter sido coisa de bandido e eu não tenho esperança que meu filho esteja vivo”.


Mas a reclamação do povo não fica só aqui. O Delegado-Geral da Polícia, Marcílio Barenco, em reunião no Conselho Estadual de Segurança, admitiu que “falta estrutura para combater o avanço do tráfico de drogas no Estado”. Segundo ele, “as vítimas de homicídios são ligados ao tráfico, ou como usuários ou como traficantes”. E questionado pelo Procurador de Estado, Evilásio Feitosa, de que “o orçamento da polícia judiciária cresceu de 53 milhões, em 2005, para 83 milhões de reais em 2008, sem que houvesse um ganho de qualidade nos serviços prestados pela polícia”, Marcílio Barenco ponderou: “O Estado pecou ao aumentar despesas com pessoal sem fazer os investimentos necessários”. Ou seja, o Governo aumentou a receita da Secretaria de Segurança para reajustar salários de policiais, mas esqueceu de disponibilizar “dinheiro” para a compra de combustível para suas viaturas. Pior é saber que deixou de abastecer a única “aeronave” da Polícia, para perdê-la em choque com o solo. Por sorte não morreu ninguém, senão o Estado estaria encrencado. A Secretaria de Defesa Social “danificou” dois helicópteros, por falta de combustível. A revelação foi da perícia técnica do Serviço de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos... Vá entender as “prioridades” da ação política no tocante à Segurança Pública no Estado... Pensemos nisso! Por hoje é só.

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