Quando de meu primeiro emprego como jornalista, ao chegar na redação, lá encontrei Laerson Silva. Brincalhão, sempre com uma piada pronta, entremeando o disparo de observações em alta voz com longo silêncios. Isto era em 1979, na primeira Tribuna de Alagoas, fundada e dirigida por Noaldo Dantas, num estreito prédio de três andares, encravado na Rua do Sol.
Trinta anos depois, rarearam as oportunidades de rever Laerson Silva. Ontem, revi o colega através da própria mídia, infelizmente, como o pai do policial Anderson Lima, trucidado em plena Rua do Sol quando tentava impedir uma ação criminosa.
Dizer “meus pêsames” é pouco. Mas nada parece ser sufiente ou adequado a tamanha dor. Como já escrito, dito e repetido por muita gente realmente capacidada, pais não foram programados para entender a morte dos filhos, pois a lógica da Natureza indica que os filhos enterram os pais e não o inverso. Quem já teve a infelicidade de perder filhos, em quaisquer idades, sabe o que é isso.
Há dias, soube que um outro amigo, colega desde os tempos longínquos dos estudos no curso de Arquitetura e Urbanismo, Heitor Maia, também perdeu um filho, depois de lutar demoradamente pelo restabelecimento da saúde. Ao Heitor, a sua família, ao Carlos Lorena, tio materno do garoto, minha solidariedade.
Retorno à dor de Laerson, por se tratar de uma perda que extrapola a tragédia familiar e se nos apresenta como uma tragédia (grande) de toda nossa sociedade. Inadequada e oportunista é a utilização desse ferimento na alma policial como instrumento de discurso politiqueiro ou como arma nas brigas inernas da Segurança Pública alagoana. Mas, adequado e indispensável é o completo esclarecimento das condições nas quais se deram os assassinatos de Anderson Lima eAldersandro Ferreira Silva. Algo não está “batendo” entre as versões e os fatos. O que seria? Seria reflexo de nossa insegurança pública e notória ou seriam indícios de que existe algo ainda mais podre no reino que não é da Dinamarca?
Este comentário está sendo postado antes do esperado pronunciamento da cúpula da Defesa Social. Espero poder postar, daqui a pouco, um novo escrito sobre o mesmo tema, elogiando os esclarecimentos e as ações da nossa polícia.
Independente disso, além de qualquer resultado que venha a ser apresentado à sociedade, aqui fica minha solidariedade a Laerson Silva e a sua família frente a essa perda irrecuperável.
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