135465 visitas | Segunda-Feira, 06 de Setembro de 2010

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Caso de polícia - Flávio Saraiva - Delegado de Polícia Alagoas
FLÁVIO SARAIVA *


Durante plantão policial recebi a visita de uma mãe separada do pai de seu filho, um menino de 13 anos, que na madrugada daquele dia chegara em casa embriagado e confessara ter usado um coquetel de álcool, barbitúricos e inalantes. A mãe pretendia fazer um exame toxicológico no filho para identificar a droga usada, como se fora importante saber qual a marca e modelo do veículo num atropelamento.


O noticiário policial, com muita frequência, tem mostrado batidas policiais em motéis, bares, boates e shows acompanhando autoridades dos mais diversos órgãos fiscalizadores do município e do Estado, buscando meninas e meninos em situações de risco. Não raro, essas batidas culminam com prisão de administradores e/ou proprietários, multas e ameaças de fechamento do estabelecimento.


Nos motéis, os fiscalizadores não se conformam apenas com a prisão do gestor, determinam a saída de todos os demais usuários e fecham o estabelecimento, tudo devidamente filmado, fotografado e estampado nas primeiras páginas. Como se não bastasse o fechamento provisório, uma autoridade logo aparece defendendo o fim das atividades do motel, desconsiderando o emprego de dezenas de pessoas que encontram ali o sustento de suas famílias. A vontade de punir o negócio é tão desproporcional que sugere que o dono tenha formatado uma promoção do tipo “traga o tiozinho e ganhe um pirulito”.


Na última semana, foi a vez de um bar no Stella Maris, que não conseguiu impedir que uma menina de 17 anos tomasse um chope nas suas dependências. O gerente fora preso e autuado em flagrante, como se fosse o grande responsável pela atitude irresponsável da menina. Naquele dia, muita gente passara a conhecer o nome do gerente do bar, que tinha deixado sua casa e filhos para buscar o sustento deles. Em contrapartida, permanecem em segredo os nomes dos pais da menina, que possivelmente estavam dormindo.


A relação juventude e álcool começa cada dia mais cedo e muitas vezes estimulada pelos próprios pais, oferecendo-lhes pequenas quantidades de bebidas já nas chupetas. Flagrar meninas e meninos de porre já se tornou rotina, mas como está tudo confinado em casa ou em salões de festas, tudo bem. Os meninos saem de casa para os bares e acreditam ser normal repetir as mesmas atitudes que fazem diante de seus pais, desconsiderando todas as advertências de que é proibida a venda de bebidas alcoólicas para eles. Os bares também não fazem promoção para atrair menores às suas mesas, não ofertam as chupetas para molhar no chope, verificam seus documentos, mas vai uma danadinha, ergue uma taça e vira. Caso de polícia ou de família?


(*) É delegado de Polícia Civil.

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