135951 visitas | Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010

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TV homicídio - Delegado Flávio Saraiva- AL
FLÁVIO SARAIVA *


As redes de TV americanas alcançaram grande audiência com a exibição de séries policiais, que se multiplicam com variados formatos. Assistimos aos trabalhos dos peritos nas séries CSI Miami e Nova Iorque, das operações especiais reais com os grupos SWAT, Detetives Médicos e até mesmo as aventuras de Jack Bauer na série 24 Horas.


Acompanhando o sucesso americano, as TVs brasileiras passaram a exibir Força Tarefa, Na Forma da Lei, Operação de Risco, as duas primeiras tratando de ficção e a última acompanhando a rotina da polícia paulista. Não podemos esquecer o estrondoso sucesso do filme Tropa de Elite, que expôs as vísceras contextuais da polícia carioca.


Há algumas semanas acompanhamos com riqueza de detalhes as investigações do sequestro seguido de homicídio que vitimara a jovem Elisa Samudio, amante do goleiro do time de maior torcida do Brasil e do mundo – o Flamengo. Na primeira semana aparece uma delegada de polícia, cercada de repórteres e apresenta a versão oriunda de denúncia que estabelecera a ligação de Bruno com o crime. A partir daí, o crime passou a ser, infelizmente, a grande atração das redes de TV.


A pauta se agiganta, descobre-se que um dos caríssimos veículos do goleiro fora apreendido com licenciamento atrasado, o filho rejeitado de Bruno é encontrado na casa de uma amiga de sua mulher, um primo relata com detalhes estarrecedores a dinâmica do crime que vitimara Eliza. Aparece um delegado mineiro que passa a viver o seu momento de estrelato.


Confesso que passei mais de trinta minutos assistindo à entrevista do delegado ao destemperado Datena, da TV Bandeirantes, em horário considerado nobre. O apresentador, acompanhando os índices de audiência, esticou a entrevista.


O público passa a conhecer termos técnicos da perícia criminal, é apresentado ao luminol, nota que a polícia, pautada pela mídia, trabalha célere e dedicada, os especialistas se apresentam para ofertar seus conhecimentos e a investigação torna-se o assunto do dia. Desconsiderados os limites de censura, muitas famílias assistiram a um veterinário afirmar, em jornais apresentados no horário de almoço, que iria analisar as fezes dos cães que teriam se alimentado de partes do corpo da vítima.


Os homicídios que vitimaram o casal Hichthofen, Isabela Nardoni, Eloá tiveram a mesma cobertura que é dada ao de Eliza Samudio, com índices de audiência capazes de justificar o interesse pelas refeições e outras particularidades dos presos na cadeia. É tanto tempo dedicado às investigações que um desavisado pode acreditar que esteja sintonizando a TV Homicídio. As cenas são as mesmas, mudam apenas os personagens.


(*) É delegado de Polícia Civil (flaviosaraivas@gmail.com).

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