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"Violência galopante pode afastar turistas e investidores"
Fonte: http://www.primeiraedicao.com.br/index.ph - Luciana Martins. 09/11/2009.
ALAGOAS - "Violência galopante pode afastar turistas e espantar os investidores"O que a sociedade suspeita, é precisamente o que está acontecendo. A violência não recrudesceu, nas últimas semanas, ela continua "galopante", com os índices de criminalidade aumentando em Maceió e nos principais centros urbanos do interior, como Arapiraca e Palmeira dos Índios. Quem faz o diagnóstico, em entrevista à repórter Luciana Martins, é delegado Antônio Carlos Lessa, presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Alagoas. Com a experiência de quem conhece o mapa da geografia do crime no Estado, ele decreta: "Falta investimento na segurança e, sem investimento, a Defesa Social nada pode fazer". Sobre o repique da violência, com destaque no noticiário, o dirigente da Adepol resume: "O crime está aí, em alta. A importância dos alvos (um hospital, um deputado e a própria Polícia Civil) é só uma questão ocasional". Ele diz que a violência crescente tende a afastar turistas e investidores.


A violência recrudesceu, nos últimos dias, ou ganhou destaque dada à importância de suas vítimas?


A violência continua galopante e o índice de criminalidade vem aumentando, não só em Maceió como também nos grandes centros como Arapiraca e Palmeira dos Índios. Esses índices aumentam em virtude da falta de investimento por parte do Governo do Estado. À importância das vítimas foi uma questão ocasional. Como aconteceu com o delegado e o deputado, qualquer pessoa pode ser tornar vítima da violência hoje em Alagoas.


Pode-se dizer que a criminalidade aqui é cíclica, ou seja, aumenta e diminui periodicamente?


Não, ela tem sido uma constante. Os índices mostram que ela continua constante, ela tem permanecido no mesmo patamar. No último final de semana foram assassinadas 11 pessoas. Então, o que vemos é que a violência tem sido estável e os crimes em Alagoas continuam acontecendo.


A seu ver, o controle da violência periférica depende de um combate mais eficaz ao comércio e uso de drogas?


Sem dúvida. Hoje a droga tem sido um dos fatores que tem feito avançar a violência em Maceió, principalmente na periferia. A disputa pelo tráfico, as dívidas do tráfico de drogas feitas pelos usuários, têm ocasionado vítimas e nós observamos que a maioria dos crimes na periferia atinge pessoas envolvidas com o tráfico.


A Defesa Social tem uma estratégia de combate aos bandidos, ou apenas age de acordo com as circunstâncias?


Ela precisa de projeto para ser implantado na segurança pública. Hoje o secretário de Defesa Social, por falta de investimento do governo estadual, não tem muito que o fazer para melhorar o combate à violência. Falta estrutura nas delegacias e na própria Polícia Militar; faltam policiais civis; faltam escrivões; faltam delegados de polícia. A PM que permanece com 7 mil homens, o mesmo efetivo de 20 anos atrás, ou seja, insuficiente. Assim, fica difícil realizar um trabalho de combate à violência. Tem que haver investimento imediato na área de segurança.


É possível oferecer segurança à população, em todo o Estado, com apenas três mil e quinhentos homens policiando, efetivamente, as ruas?D


e forma nenhuma. É preciso um trabalho mais intensivo da PM. E ela tem que fazer o trabalho ostensivo nas ruas porque a população está desprotegida. É imperioso acabar com essa disponibilidade de PMs nos gabinetes, ou pelo menos reduzi-la, para colocar em ação, nas ruas, esses homens que foram treinados para combater a criminalidade. Eles devem voltar a sua atividade fim, que é o combate nas ruas. Temos cidades no interior onde o efetivo policial é quase inexistente. Na Policia Civil tem cidades que só tem a figura do chefe de serviço e, quando muito, o escrivão, mas sem nenhum efetivo policial e de agentes para ser utilizado em investigação.


O senhor não acha que o secretário Paulo Rubim, da Defesa Social, deveria "brigar" mais por recursos financeiros para o setor?


Sem dúvida. Ele já está à frente da Secretaria a um bom tempo e nós não vimos nenhum investimento que fosse efetivamente sentido pela sociedade. Precisa cobrar ao Governo do Estado porque, sem investimento, não iremos conter esse índice de violência.


No atual governo, houve alguma convocação de pessoal novo para a Polícia Militar e Polícia Civil?


O Estado precisa chamar, com urgência, a reserva técnica da PM para suprir a deficiência do efetivo reduzido. Ora, se já houve o concurso público, nada mais justo do que chamar esses mil policiais concursados que estão na expectativa de assumir uma vaga de soldado. É preciso também realizar um concurso para os cargos de delegado, agente e escrivão. Na Policia Civil, o efetivo também é insuficiente. Os delegados sentem muito a falta de pessoal. Isso dificulta as investigações policiais e os inquéritos encalham nas delegacias porque não há policiais para investigar. Em algumas cidades do interior, o agente ainda faz a custódia de presos.


Não acha que, nesse cenário de violência, o governador deveria mandar para a rua todo o contingente da PM hoje a serviço da burocracia parasitária?


Eu acho que se deve diminuir esse efetivo de militares à disposição do Palácio do Governo, da Procuradoria Geral do Estado, do Tribunal de Justiça, do Tribunal de Contas, da Assembléia Legislativa. Não se admite que uma pessoa, qualificada que foi para combater a criminalidade, fique em gabinete atendendo telefone e abrindo porta. É preciso colocar toda essa gente na rua para ajudar no combate à violência.


Esse clima de violência não pode afetar o turismo, inibindo a vinda de visitantes, assim como desestimular investidores do setor empresarial de outros estados?


A violência afasta qualquer investidor. Uma cidade ou um Estado que tenha um índice de violência alto vai fazer com que os investidores não venham aplicar seus recursos na economia do Estado, afastando indústrias e fábricas. O governo tem que rever o seu programa de segurança pública porque os investidores e os turistas podem desistir de investir e vistar Alagoas.


Que conselho o senhor daria ao governador Teotônio Vilela, como contribuição para diminuir a violência em Alagoas?


Investimento. É preciso investir na área de segurança pública, qualificar os policiais e dar um o apoio necessário para a melhoria salarial. Os policiais precisam se sentir motivados para combater a criminalidade. Esse é o nosso conselho: governador, invista mais na área de segurança pública.

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