O partdo do crime
Delegado Flácio Saraiva - PC AL
No ano de 1993, presidiários do sistema penitenciário paulista criaram o Primeiro Comando da Capital – PCC, citado por eles apenas como “o partido”, que surgiu para ser instrumento de reivindicações para melhores condições no cárcere daquele Estado. O “partido” evoluiu e passou a dominar todos os presídios paulistas, a ponto de comandar rebeliões simultâneas e criar, fora deles, organizada rede criminosa responsável pela segurança dos familiares dos encarcerados e busca de recursos através do tráfico de drogas e assaltos. Como toda organização, criou seu próprio estatuto, cumprido com rigor por seus filiados.
O PCC mudou a relação entre presos e governantes, com emprego de técnicas de terrorismo espalhando o pânico com ataques e ameaças. Como se não bastassem as repetidas rebeliões nos presídios, com cenas de presos ou funcionários sendo assassinados e jogados das muralhas sob os olhares assustados de familiares e gestores, levadas ao noticiário nacional, “o partido” resolveu matar autoridades e agentes que contrariavam seus interesses.
Em maio de 2006, o PCC aterrorizou São Paulo com a explosão de rebeliões em todos os presídios paulistas, em protesto contra a transferência de seus chefes para unidade prisional de segurança máxima. Por meio do salve geral, forma de comunicação do PCC com o ambiente externo, foram comandados vários ataques às bases policiais militares, delegacias de polícia, unidades da guarda municipal, comércio, bancos, metrô, ônibus, escolas e universidades; uma guerra que resultou na morte de 44 policiais e 110 suspeitos de ligação com o “partido”. Com seu poder de articulação e letalidade, o PCC tomou conta das prisões do país.
Dezembro de 2011, Maceió é alvo de uma série de ataques organizados pelo partido do crime. Do sistema penitenciário, veio um salve para queimar ônibus e deixar no local do ataque o manifesto por melhores condições para os presos. Três ônibus foram queimados e se espalharam notícias de arrastões no bairro do Jacintinho e na região comercial do Centro. No Jacintinho, comerciantes confirmaram a prática criminosa, comparada a atos de terrorismo, pois avisam antes, agem e reivindicam a autoria. No Centro, houve confronto entre boatos e o que as autoridades puderam constatar, concluindo que ocorrera uma movimentação de pessoas assustadas que corriam da área do Mercado ao presenciarem 03 jovens, não identificados, empunhando armas de fogo, repercutindo na área comercial.
Em São Paulo, além dos ataques constatados, o PCC espalhou pânico propagando falsas ameaças de bombas em aeroportos, estações de metrô e órgãos públicos. Aqui, se espalharam boatos de arrastões em vários pontos da Capital, causando pânico que tumultuou a vida de muita gente.
A polícia trabalhou rápido e identificou o criminoso preso que ordenou o salve, prendeu um dos autores dos incêndios a ônibus e constatou sua vinculação com o partido do crime.


