Queime depois de ler-Delegada Ana Luiza Nogueira - Polícia Civil de Alaoas

| ANA LUIZA NOGUEIRA * Delegada de Polícia Civil de Alagoas
Nos últimos tempos, não são poucas as notícias de operações policiais que redundam no desbaratamento de quadrilhas criminosas, criadas visando ao enriquecimento ilícito de seus membros. Na maioria das vezes, são dotadas de estrutura complexa, a fim de dificultar a investigação de suas ações. Neste aspecto, importante se faz um trabalho de investigação sério, e aí reside a importância da inteligência. Eis um necessário setor para investimento contínuo.
Além de operações de busca dos conhecimentos protegidos, a atividade de inteligência desenvolve trabalhos de análise estratégica, utilizando procedimentos sistemáticos, estudos e avaliações, com o objetivo de identificar e compreender as características e modos de atuação das organizações criminosas. Para o combate ao crime organizado, essa atividade necessita de ação coordenada e contínua. Nas últimas décadas, as atividades criminosas têm passado por uma série de mudanças que culminaram em ações cada vez mais organizadas, com ramificações nos mais diversos tipos de atividades ilícitas. Com o desiderato de apurar tais infrações, a polícia desenvolve diversas técnicas para avaliar a segurança do que já foi apurado, a fim de proteger o objetivo final da operação, o esclarecimento do fato através da repressão do delito e da persecução ao conhecimento da autoria. O sigilo, nesse caso, é fator de extrema relevância.
Sabendo-se que muitos crimes complexos não são resolvidos com políticas públicas meramente de prevenção, necessitando de respostas repressivas qualificadas, o setor de inteligência aparece como preponderante. Assim, divisões policiais que atuam com tais técnicas têm maiores chances de esclarecer fatos delitivos dessa monta. Desta feita, investimento mais apropriado em treinamento e desenvolvimento profissional de investigadores policiais é o caminho mais lógico no combate a tais infrações penais. Esta atividade de investigação, que precisa ser valorizada cada vez mais, pode ser a resposta mais eficiente para um tipo de crime que não se resolve com polícia fardada, nem com a mera interceptação telefônica ou com a simples pesquisa documental. Trata-se de um crime que exige um tratamento mais apurado, interdisciplinar, no qual o exercício da lógica, da persistência do trabalho de campo, interagem para entendê-lo e, posteriormente, desvendá-lo.
Apesar do inconformismo de alguns membros de outras instituições, que afirmam que a Polícia Civil é ineficiente quanto ao esclarecimento de crimes, vários casos notórios que exigiram resposta de setores especializados têm demonstrado resultado positivo. Parece que a falta de maior eficácia no esclarecimento de crimes está mais associada a fatores conjunturais.